Mulheres para ler

Março chegou e com isso, a possibilidade de fazermos novas leituras. O dia 8 é considerado o Dia Internacional de Luta das Mulheres e em diversas cidades e estados do país (e do mundo) haverá atos e mobilizações. A Iara Picolo, do Conto em Canto resolveu criar um projeto literário chamado Mulheres para Ler, ou seja,

“Um mês para apoiar, estimular e compartilhar a leitura de autoras e personagens femininas. Para discutirmos por que temos tão poucas mulheres no cenário literário, por que somos tão estereotipadas nas histórias e por que temos tão poucas mulheres premiadas na literatura?!”

Resolvi aderir ao projeto e ao longo de todo o mês de março irei ler apenas obras literárias escrita por mulheres. Caso você também tenha se interessado, foi criado um Grupo no Facebook para melhorar a interação de todas(os) participantes.

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Para identificar o projeto usem a hashtag #mulheresparaler em todas as redes sociais.

Até mais!

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Metas para 2017

Mais um ano começou e apesar disso, a velha ideia de planejamento e organização de novas metas. Como canceriana nata, sempre desejo abraçar o mundo inteiro e com o tempo, a maioria das coisas acabam tornando-se obrigações chatas ou desgastantes. Por isso, decidi que em 2017, isso será diferente. Será o ano do foco! E obviamente, será preciso ter maior disciplina. Então, ao invés de listar um monte de itens, reduzi ao que realmente avalio como pertinente e motivador. Se conseguir cumprir essas 4 metas, boa parte dos itens não listados já serão movimentados.

1.Usar uma agenda: todo ano é a mesma coisa. Começo empolgada com a agendinha, mas três meses depois já a deixo de lado. Uma dica é reservar um tempo e de uma só vez, marcar antecipadamente aniversários, viagens, congressos, vencimentos das contas. Todo domingo a noite tentarei revisar a semana seguinte para verificar se existe alguma pendência. Escolhi uma agenda inspiradora, com uma mulher incrível: Frida Kahlo!  ❤

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2.Ficar um ano sem comprar livros: definitivamente, em 2016, comprei muitos livros. Comprei muito mais do que consegui efetivamente ler. E isso já foi uma constância de pelo menos 3 anos consecutivos. Sempre usei a desculpa esfarrapada de que “existe uma vida inteira pra lê-los”, e de fato existe, mas ao menos para mim, não tem feito mais tanto sentido deixá-los lá paradinhos. Certa vez, meu pai escreveu em um bilhete: “Um livro pode ser nosso sem nos pertencer. Só um livro lido nos pertence realmente” (Eno Teodoro Wanke). Me deparei com esse pequeno lembrete a poucos dias e desde então, esse pensamento ecoa na mente. Percebi que preciso: 1) reduzir o consumo e compulsão por comprar livros. Será que de fato quero ler aquele livro ou apenas me interessei pelo design gráfico, a capa bonita, as boas críticas?; 2) reduzir a forma de apropriação do livro enquanto objeto, ou seja, a ideia de que preciso do livro físico para ler sendo que existem outras opções, como por exemplo, os livros digitais e/ou empréstimos em bibliotecas universitárias ou públicas; 3) reduzir gastos, pois o preço do livro no Brasil ainda é bastante caro se pensarmos no valor do salário mínimo. Portanto, selecionei os livros que irão compor minha meta literária pra esse ano. Ao todo, serão 20!

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3.Reduzir o tempo nas redes sociais: e isso também inclui fazer uma boa limpeza de pessoas, páginas, ou canais. Já ouviu falar que “menos é mais”? Pois então! Serve pra esse quesito também.

4.Juntar dinheiro: para fazer a tão sonhada e postergada viagem internacional. Ainda sem data, sem destino ou rumo definidos. Vamos por partes. Primeiro juntar a grana, depois avaliar as possibilidades. Sem pressa. Tenho um ano inteiro pela frente.

Por fim, deixo um poema de um poeta que gosto muito e que tem tudo a ver com esse assunto de metas, sonhos, ano novo e tudo mais.

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

[Carlos Drummond de Andrade]

Que o Ano Novo exista dentro e fora de vocês!

Até mais 😉

O que é o Leia Mulheres?

Você gosta e tem o hábito da leitura? Então me responda a três perguntas básicas:

1) Quais os nomes das escritoras que você conhece?
2) Quais e quantos livros escritos por mulheres você leu em 2016? E livros escritos por homens?
3) Quantos livros escritos por mulheres você possui?

Quando me deparei com as respostas percebi algo muito além do fato de não ter o hábito de ler mulheres. Saltou aos olhos a quantidade de livros que tinha escritos por homens se comparado aos escritos por mulheres na minha estante. Toda e qualquer ida a livraria me mostrava uma desigualdade latente de gênero. E vejam, eu sou uma mulher, então o que estava acontecendo? O que isso significava? A resposta foi simples, mas dolorosa: nós mulheres, ainda somos minoria representada em tudo, sobretudo, no mercado editorial. Então, novamente fiz um pergunta: como poderia mudar esse hábito? O projeto Leia Mulheres me pareceu um caminho.

O projeto começou em 2014, quando a escritora e ilustradora britânica, Joanna Wash, lançou a hashtag #readwomen2014. A ideia inicial foi propor clubes de leitura que tivessem como objetivo exclusivo a leitura de literatura escrita por mulheres.

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A ideia se alastrou por todos os cantos e ainda em 2014, três amigas, Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques, traduziram a hashtag e criaram o #leiamulheres em São Paulo, iniciando assim, o projeto no Brasil.

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 “ (…) Nós rechaçamos o termo ‘literatura feminina’. A literatura existe. Ela é feita por homens ou mulheres. Ela pode escrever o que ela quiser. Não existe literatura feminina porque não existe literatura masculina. Existe literatura escrita por homem, mulher, cis, trans”.

Portanto, as escolhas das leituras devem ser as mais diversificadas possíveis em raça, gêneros literários, países. Mas sempre obras literárias escritas por mulheres.

“Os encontros não são aulas nem palestras, são conversas. Queremos levantar questões sobre os livros. É uma discussão livre sobre a experiência de leitura. Em muitos casos, a narrativa tem uma relação com a vida da pessoa e ela compartilha. É bem dinâmico. Não queremos criar um elitismo cultural; pelo contrário, qualquer pessoa pode sentar e conversar — inclusive homens. Não seguimos muito as teorias literárias, podemos nos apoiar em alguns textos, mas não é esse o foco”.

Mensalmente, os grupos se reúnem para discutir a leitura escolhida, em geral, votada online. A escolha das obras é livre e os grupos são mediados. Atualmente, o projeto existe em 39 cidades e estados diferentes, inclusive aqui em Vitória-ES.

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Para maiores informações, acessem:

http://leiamulheres.com.br/

Leia Mulheres em Vitória-ES

Sobre laços, redes sociais e des(encontros)

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Um dos muitos significados existentes para definir laço, de acordo com o dicionário Michaelis online é: aliança, compromisso, liga. Em tempos de virtualidade da vida e exposição massiva nas redes sociais, as supostas alianças tem se dado, em geral, no front da tela de um computador. Amizades importantes deixaram de acompanhar o cotidiano da vida e até mesmo ter presença física. O amor se resume a meia dúzia de ícones e emoticons, mensagens entrecortadas ao longo do dia, evitando-se um diálogo longo, olho no olho, tempo sem relógio. Mas também existe o lado supostamente bom, como quando é possível se comunicar com alguém em outro país ou mesmo enviar uma mensagem para o pesquisador referência da sua área. As compras são facilitadas: um clique e pronto! É também possível conhecer um mundo de novidades, estilos de vida, acompanhar rotinas de celebridades e/ou personalidades que são, de algum modo, fonte de inspiração. Mas o que me incomoda muito e já faz um tempo, é o fato das pessoas aparentarem satisfação em estar 24h online, uma conexão integral com “o mundo lá fora” enquanto o “mundo de dentro” vai se acobertando e acovardando, afinal, se você não sair de casa, ninguém saberá ou terá dimensão de como verdadeiramente está. Não se desconecta para nada, nem mesmo para dormir e ao acordar, a primeira coisa que rotineiramente já nos habituamos é ir checar as novidades do dia, ainda que o dia esteja apenas no começo e o sol nem tenha por si, raiado. Me incluo nesse grupo e avalio o nível de ansiedade, tédio e tensão que isso tem gerado. Quase não ouvimos mais o som da voz das pessoas ou nos tocamos. Abraços? Só mesmo quando existem longos períodos de afastamento ou possibilidade e abertura suficientes. Seja como for, às vezes tenho medo dessa frieza cibernética. Medo de parecer tola ou aquele tipo de pessoa pegajosa, que pega, beija, abraça, olha no olho, afaga. As pessoas tem se acostumado a não demonstrar afeto e por não demonstrar afeto explícito, aparentam bem estar. E ao aparentarem bem estar, cada vez menos temos noção se existe algum problema. Quem hoje se permite em algum momento do dia corrido fazer alguma estripulia (porque só assim as coisas acontecem), quebrar as regras, faltar aquela aula maçante pra ir ao teatro ouvir um concerto sinfônico, ou mesmo ligar para aquele parente que está com saudades, ou aparecer de supetão na porta daquela pessoa querida, ou ainda, ir de fato ao encontro físico com aquela amiga(o) que faz falta? Nos condicionamos a essa era digital, colocamos cada vez mais condições para que o real exista. Nossa agenda está cheia de tarefas e obrigações mas pouco vivemos entre uma coisa e outra, pouco ou quase nada nos permitimos viver. Aparentemente, acompanhamos o andar da vida dos outros, mas só aparentemente. A vida acontece, de fato, no estar-junto-fisicamente, naquela fração de segundos singelos que a fotografia da memória capta. No cheiro que fica, na lembrança que se faz sempre presente, nos sorrisos cantos de boca que nos flagramos dar enquanto lavamos a louça e ouvimos o som da outra pessoa a percorrer a casa. Gosto do que a internet possibilita, mas gosto infinitamente mais de poder dividir a vida sem registros físicos. Enquanto não se acha um equilíbrio a unir as duas pontas, vamos seguindo em frente, em algum momento a gente descobre o segredo, ou talvez não. Seja como for, deixo um vídeo muito interessante, que ajuda a refletir sobre o assunto em questão. Espero que apreciem e que se identifiquem e se identificando, mudanças surjam.

Zygmunt Bauman – sobre os laços humanos, redes sociais, liberdade e segurança:

Namastê!